A inflação deixou de ser determinada apenas por fatores internos das economias e passou a ser influenciada por questões geopolíticas e de segurança internacional, afirmou o economista José Luiz Niemeyer. Ele avaliou que conflitos armados e disputas por recursos alteram a condução da política monetária pelos bancos centrais globais.
Segundo Niemeyer, guerras continuam motivadas pelo controle de territórios e recursos estratégicos, o que afeta a economia global. Ele explicou que a diminuição da exportação de petróleo, gás e produtos alimentícios, decorrente de conflitos, aumenta a inflação. Essa nova dinâmica levou os bancos centrais a ampliar o foco de análise, passando a se preocupar mais com questões exógenas, como segurança internacional e geopolítica.
A crescente interdependência entre economia e política internacional mudou a interpretação dos riscos inflacionários. O professor destacou que a instabilidade em regiões como o Oriente Médio, e a importância logística do Estreito de Ormuz, ocupam posição central nas estratégias nacionais. Ele defendeu que o Brasil utilize sua posição geográfica para integrar-se ao Oceano Pacífico, visando reduzir dependências de rotas congestionadas.
Niemeyer afirmou que o Brasil, como fornecedor de energia e alimentos, cria condições favoráveis para a política monetária doméstica. Ele ponderou que, no médio prazo, podem ocorrer novas reduções de juros, embora o cenário seja diferente em economias mais dependentes de importações, que sofrem com o aumento de preços.

