A redução da taxa Selic para 14,25% ao ano não deve ser interpretada como estímulo à atividade econômica, afirma Gustavo Pessoa, professor de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele avalia que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza cautela, e o tom do Banco Central reflete incertezas políticas e econômicas globais.
Pessoa explicou que a diminuição de 0,25% na taxa básica não altera significativamente as condições financeiras do Brasil. Segundo o docente, 14,25% ainda configura uma taxa muito contracionista. Ele comentou que o Banco Central aplica uma política de Estado, e sua autonomia é crucial para garantir decisões técnicas, sem depender do governo ou do mercado.
Sobre a inflação, o economista detalhou que a adoção da meta contínua exige seis meses consecutivos de desvio para que o descumprimento do objetivo seja considerado. Essa mudança visa corrigir reações precipitadas do mercado. Pessoa também apontou que a taxa de juros elevada persiste por conta de uma conjuntura mundial, citando desafios semelhantes em economias desenvolvidas como Estados Unidos e Europa.

