O Brasil registrou queda na taxa de analfabetismo para 4,9% em 2025, ficando abaixo da meta de 5% para a população acima de 15 anos. Contudo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, aponta que ainda existem 8,4 milhões de pessoas sem saber ler e escrever.
A redução de 0,4 ponto percentual na taxa nacional em comparação com 2024 diminuiu o número de analfabetos em cerca de 592 mil pessoas. A região Nordeste concentra a maior parte desse contingente, com 4,8 milhões de pessoas analfabetas, o que supera a população total do Amazonas, segundo a pesquisa.
A análise do pesquisador William Kratochwill indica que o problema afeta sobretudo as gerações mais velhas. Na faixa etária acima de 60 anos, o índice é de 13,8%, e esses indivíduos representam 58% do total de analfabetos. Houve inversão de gênero nesse grupo, com a taxa feminina (13,7%) menor que a masculina (14,1%) em 2025.
Apesar do avanço na escolaridade média, a desigualdade racial permanece. A taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais é quase três vezes superior à observada entre pessoas brancas da mesma faixa etária. Além disso, a oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA) segue em queda, apesar de ser obrigatória por lei.

