A prática da psicologia aponta que comentários comuns reforçam preconceitos contra pessoas autistas e suas famílias. A falta de compreensão social gera desgaste, pois frases aparentemente inofensivas minimizam experiências reais e ignoram a complexidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
As famílias de pessoas autistas enfrentam rotinas intensas, equilibrando terapias, consultas e demandas diárias. No entanto, o maior desgaste advém da desinformação social. Frases como “Mas ele nem parece autista” demonstram um equívoco, pois o autismo não possui características físicas visíveis. Muitas pessoas autistas utilizam o ‘masking’, um esforço constante para se adaptar socialmente, o que gera grande exaustão emocional.
Outra falácia recorrente é a ideia de que todos possuem algum grau de autismo. Especialistas afirmam que o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta comunicação e interação social, e não um traço de personalidade. Reduzir a condição a características cotidianas banaliza a experiência de milhões de pessoas.
Comentários como “Isso é falta de limites. O que ele precisa é de disciplina” ignoram que crises podem ser sobrecarga sensorial intensa, ou ‘meltdown’. A inclusão, segundo a psicóloga Sirlene Ferreira, começa nas palavras. Ela afirma que as famílias necessitam de apoio e empatia, e não de críticas disfarçadas de conselho.


