O Brasil possui condições para liderar o mercado de minério verde, essencial para a transição global para uma economia de baixo carbono. O país conta com reservas minerais de alta qualidade e matriz elétrica renovável, mas a conversão desse potencial em protagonismo exige decisão e velocidade regulatória.
A demanda internacional por aço de baixa emissão impulsiona a relevância do minério verde. Projetos industriais que utilizam insumos para esse aço requerem previsibilidade e segurança jurídica para atrair investimentos de longo prazo. Segundo Lucas Kallas, presidente do conselho da Cedro Participações, o risco brasileiro reside em perder competitividade para nações que executam projetos com maior agilidade.
Empresas brasileiras já investem em tecnologias sustentáveis. A Cedro Mineração, por exemplo, produz pellet feed para aço com menor intensidade de carbono, que pode reduzir as emissões de CO2 em até 50% em comparação com o método tradicional. Grandes siderúrgicas globais dependem desse tipo de matéria-prima.
A oportunidade econômica é expressiva. Um estudo da EY-Parthenon aponta que a adoção de iniciativas ESG na mineração pode gerar R$ 399 bilhões anuais para a economia brasileira e criar mais de 3 milhões de empregos. Contudo, o esforço empresarial não basta; o país precisa alinhar política pública, regulação ambiental e incentivos à inovação para consolidar a estratégia nacional.


