O Amapá é o único estado brasileiro sem registro de captação de órgãos ou realização de transplantes, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Enquanto isso, o país ultrapassou a marca de 30 mil procedimentos em 2024, com grande parte realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A situação no Amapá é considerada grave, pois pacientes que necessitam de transplante precisam deixar o estado. Valter Duro Garcia, conselheiro da ABTO, afirmou que a região possui mais de 500 pacientes com doença renal crônica em diálise, e mais de 150 ingressam no tratamento anualmente. Ele declarou que é preciso organizar o sistema e buscar doadores para realizar os procedimentos.
A ausência de estrutura local gera custos elevados. Ilka Boin, vice-presidente da ABTO, explicou que o envio de pacientes para outros estados custa cerca de R$ 2 milhões por ano. Representantes da ABTO estão em Macapá para mapear necessidades e iniciar a estruturação do serviço, que inclui desde a escuta das famílias até o diagnóstico.
Em contraste, o Ministério da Saúde informou que, em 2024, o Brasil realizou 30,3 mil transplantes. Os órgãos mais transplantados foram córnea (17.107), rins (6.320) e fígado (2.454). A doação de órgãos no país é um ato voluntário, gratuito e regulado pelo SUS, sendo a decisão final sempre dos familiares.

