A Brazil Iron declarou que seu produto de ‘ferro verde’ não competirá diretamente com o minério de ferro tradicional no mercado global. O vice-presidente de Relações Institucionais, Emerson Souza, afirmou que o insumo terá um mercado próprio, focado em siderúrgicas que precisam reduzir emissões de carbono.
Segundo Souza, a tese da companhia não é substituir integralmente o minério usado pela indústria siderúrgica, mas sim ocupar uma fatia específica da cadeia ligada à descarbonização da produção de aço. O projeto, localizado na Bahia, visa produzir HBI, ou ferro briquetado a quente, um insumo intermediário com maior valor agregado.
O HBI pode ser usado em rotas menos intensivas em carbono que o processo tradicional baseado em carvão. Souza explica que o mercado será impulsionado por exigências climáticas, como o CBAM da União Europeia, que cobra preço sobre emissões em produtos importados. O executivo citou o Japão como exemplo de país que apoia investimentos em novas rotas siderúrgicas.
Apesar das incertezas sobre a ‘premiação verde’ — ou seja, se os compradores pagarão mais por insumos de baixa emissão —, a empresa apresentou contratos de offtake. Souza informou que a Brazil Iron possui dois acordos de compra futura, avaliados em cerca de US$ 30 bilhões, com compradores na Ásia e Europa.
O investimento total do projeto na Bahia é de US$ 5,7 bilhões. A rota inicial prevê o uso de gás natural, com estudos futuros para transição a hidrogênio verde e captura de carbono, visando uma lógica comercial distinta da commodity tradicional.

