Uma fotógrafa documenta a migração vertical diária (MVD), o maior deslocamento de biomassa do planeta, ao registrar criaturas abissais que emergem das profundezas em busca de alimento. A artista, que atua no oceano aberto durante a madrugada, revela um universo submarino complexo e repleto de vida.
A fotógrafa testemunha a MVD, um fenômeno que ocorre em todos os ambientes marinhos e de água doce. Segundo especialistas, esse deslocamento noturno envolve trilhões de zooplânctons que sobem centenas de metros em direção à superfície. A artista, que iniciou seus mergulhos em águas negras na Baía de Batangas, Filipinas, em dezembro de 2018, descreveu a experiência inicial como um “vazio negro sem fim”, mas descobriu grande biodiversidade.
Seus registros incluem desde águas-vivas até caranguejos e peixes juvenis. Em 2023, a revista Oceanographic a nomeou Fotógrafa Oceânica do Ano. A artista também documentou o comportamento de espécies como a medusa imortal, utilizando técnicas específicas, como a mudança para luz vermelha, para capturar suas imagens. Contudo, ela também registrou a presença de detritos humanos, como peixes protegidos por pedaços de papel à deriva.
O professor de ciências marinhas da Associação Escocesa de Ciências Marinhas afirmou que a migração é um “coro vespertino” de vida marinha. Em contrapartida, o professor da Universidade de Southampton alertou sobre os impactos da atividade humana na zona mesopelágica, estimando que a população local possa diminuir em até 40% até o final do século.

