O aumento do interesse pela ayahuasca, tanto no Brasil quanto internacionalmente, gera debate sobre os impactos ambientais e culturais na Amazônia. Lideranças indígenas e pesquisadores alertam que a crescente procura pode pressionar espécies vegetais e estimular a comercialização de saberes tradicionais sem a participação das comunidades.
A bebida, produzida com cipó mariri (Banisteriopsis caapi) e folhas de chacrona (Psychotria viridis), é usada há séculos em rituais de cura dos povos amazônicos. Contudo, seu uso se expandiu para retiros terapêuticos e circuitos internacionais. O interesse científico também cresce, com estudos investigando seu potencial terapêutico para transtornos como depressão e dependência química.
O avanço do mercado preocupa especialistas. O líder indígena Benki Piyãko, do povo Ashaninka, afirmou que o mercado tenta “transformar um conhecimento ancestral em produto”. Ele disse que a discussão abrange todo o conjunto de espécies vegetais e relações culturais que sustentam os sistemas tradicionais de conhecimento.
A falta de dados dificulta o controle ambiental. O pesquisador Eufran Ferreira do Amaral, da Embrapa Acre, declarou que não existem levantamentos consolidados sobre a disponibilidade das plantas. Relatos indicam redução da oferta em áreas antes abundantes, forçando extratores a buscar plantas em regiões mais distantes.
Em 2025, o Acre aprovou legislação estadual para regulamentar a extração, mas a norma recebeu críticas. O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) apontou que a lei não estabelece critérios detalhados para regeneração. Organizações indígenas contestam a norma por ausência de consulta prévia aos povos tradicionais.

