Um forte fenômeno climático El Niño pode se desenvolver no segundo semestre, elevando temperaturas e alterando o regime de chuvas em todo o mundo. O evento, que ocorre naturalmente a cada dois a sete anos, representa riscos significativos para as safras tropicais, afetando commodities como cacau, café e açúcar.
O El Niño consiste no aquecimento periódico da superfície do mar no Pacífico oriental, resultado do enfraquecimento dos ventos alísios. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) confirmou a chegada do fenômeno e indicou que há 63% de probabilidade de um El Niño muito forte em 2027. As condições climáticas adversas geram impactos distintos dependendo da cultura.
No setor do cacau, os El Niños fortes dos últimos 55 anos reduziram a produção, segundo a empresa de investimentos WisdomTree. Enquanto a África Ocidental enfrentou chuvas excessivas e calor intenso em ciclos anteriores, o Equador, terceiro maior produtor, sofre com chuvas excessivas durante os episódios. Os preços do cacau atingiram níveis recordes acima de US$12.000 por tonelada métrica no final de 2024.
Para o café robusta, o El Niño é problemático para o Vietnã e a Indonésia, que juntos respondem por cerca de 50% da produção mundial, pois o evento traz temperaturas mais altas e redução de chuvas. Já no caso do café arábica, produzido em grande parte no Brasil, o impacto é mais sutil, mas a longo prazo, o calor e a seca no quarto trimestre podem prejudicar a safra de 2027.
No mercado de açúcar, o El Niño pode causar chuvas excessivas no Brasil, principal produtor mundial. Contudo, na Índia, segundo maior produtor, o padrão climático tende a reduzir as chuvas durante a monção de verão. Um diretor de açúcar da corretora Hedgepoint estimou que um El Niño moderado poderia reduzir a produção da Índia em cerca de 1 milhão de toneladas métricas.

