A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal manteve, por quatro votos a um, as prisões preventivas de um homem e de seu primo, familiares de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master. O voto divergente foi do ministro Gilmar Mendes, que defendeu a prisão domiciliar. O julgamento evidenciou um intenso embate entre Gilmar Mendes e o relator, André Mendonça.
Gilmar Mendes argumentou durante a sessão que as prisões poderiam servir como instrumento de pressão para acordos de delação premiada. O decano da Corte também comparou a operação contra o Banco Master à Operação Lava Jato, alegando excessos na investigação. Em resposta, André Mendonça afirmou que todos os envolvidos no STF atuam no combate à criminalidade organizada, mas que é preciso usar métodos constitucionais para isso.
O relator descreveu a atuação dos familiares de Vorcaro como de “uma organização criminosa em atividade, mesmo depois do avanço das investigações”. Além disso, o relatório da Polícia Federal revelou que Daniel Vorcaro teria feito repasses mensais de pelo menos R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), somando R$ 6 milhões em 20 meses, para cobrir despesas como viagens e presentes de luxo.
A análise de especialistas apontou uma “medição de forças e de entendimentos” entre os ministros. A comparação feita por Gilmar Mendes com o caso Lava Jato foi criticada por veículos de comunicação, que apontaram a natureza distinta dos dois episódios. O caso Master permanece na Segunda Turma do STF.

