Medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, estão sob investigação científica por potenciais benefícios à saúde cognitiva. As substâncias podem atuar na redução da neuroinflamação e na proteção de funções cerebrais, além do controle glicêmico e perda de peso.
O cérebro possui receptores de GLP-1 em áreas vitais, como o hipocampo, responsável pela memória, e o hipotálamo. Pesquisas publicadas na revista Cell Metabolism indicam que esses remédios podem equilibrar a unidade neurovascular e regular células como micróglias e astrócitos. Essa ação auxilia no combate à inflamação crônica, um mecanismo central da neurodegeneração.
Os resultados de pesquisas mostram divergências. Uma análise retrospectiva comparativa indicou que a tirzepatida foi associada a menor risco de comprometimento cognitivo leve (MCI) e demência em relação à semaglutida. Contudo, testes clínicos de fase 3 com a semaglutida oral não demonstraram redução estatisticamente significativa na progressão do Alzheimer inicial, embora tenham melhorado biomarcadores da doença.
Especialistas alertam que muitos dados provêm de estudos observacionais ou em animais, exigindo cautela na interpretação. O debate existe se os benefícios são efeito direto do fármaco ou consequência da melhora metabólica geral. Por isso, o uso contínuo deve ser acompanhado por profissionais de saúde para avaliar o risco-benefício individual.

