O vice-presidente de Grid Solutions para a América Latina da Siemens Energy, Formiga, afirmou que o Brasil precisa antecipar leilões de ativos de transmissão para que a rede elétrica suporte a demanda de novos data centers. Segundo ele, o país não está preparado para receber os investimentos de big techs que planejam instalar centros de processamento de dados no território brasileiro.
Em entrevista a veículos de comunicação, Formiga disse que aumentar o número de lotes e de leilões de transmissão é essencial para fortalecer a espinha dorsal do sistema elétrico. “Quanto mais subestações, mais linhas de transmissão nós tivermos, mais possibilidades o sistema vai dar para a gente conectar outros data centers e novas tecnologias”, afirmou.
O executivo também defendeu a realização dos leilões de conexão, modelo lançado em dezembro de 2025 pelo governo. Nesse processo, agentes interessados em usar o sistema de transmissão de uma mesma região disputam pelo acesso, e quem oferecer o maior bônus por quilowatt de capacidade ganha o direito de se conectar. “Um processo competitivo que é igual para todos e vai trazer investidores sérios”, disse.
Além dos leilões, Formiga citou a implementação de baterias para dar flexibilidade ao sistema e a adoção de dispositivos FACTS (Sistemas Flexíveis de Transmissão em Corrente Alternada) para garantir estabilidade contra oscilações causadas pela alta carga dos data centers. “A antecipação de todos esses passos é essencial para que a gente não perca essa onda de investimento”, acrescentou.
Formiga apontou o lançamento do ChatGPT, em 2022, como um marco para o setor elétrico brasileiro, pois gerou uma demanda inesperada de energia. Segundo ele, a indústria de IA desenvolveu mais de 10 vezes a necessidade de energia que ela precisa, e os data centers concentram carga em áreas pequenas, com alta imprevisibilidade. “Em 5 anos, o consumo de energia pode chegar a 10 vezes mais. Hoje a gente não está pronto”, declarou.

