Doenças renais raras, como a Glomerulopatia por Complemento 3 (C3G), enfrentam desafios de diagnóstico e tratamento. A condição, causada por desregulação do sistema imunológico, afeta pessoas de todas as idades, mas impacta sobretudo indivíduos em idade produtiva. Uma paciente de Campo Grande (MS) precisou de transplante após progressão da doença.
De acordo com a nefrologista Maria Helena Vaisbich, coordenadora do Comitê de Doenças Raras da Sociedade Brasileira de Nefrologia (COMDORA-SBN), quando desregulado, o sistema complemento desencadeia inflamação que compromete a filtragem dos rins. Sintomas como inchaço e urina espumosa podem ser confundidos com outras doenças, atrasando o diagnóstico.
A auxiliar pedagógica Anne Raissa Ferro, hoje com 33 anos, descobriu a doença aos 26, após exames revelarem creatinina alta. Mesmo com terapias de suporte, perdeu 36% da função renal e iniciou hemodiálise. Após 11 meses na lista de espera, recebeu um transplante renal. Atualmente, a doença está controlada.
A experiência inspirou a paciente, estudante de Letras, a escrever um livro de poesias. Ela também participa da terceira temporada de uma série documental sobre doenças raras, realizada por associação de pacientes. Especialistas reforçam a importância da biópsia renal, disponível no SUS, para diagnóstico precoce.

