Um novo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou nesta quarta-feira (25) que o financiamento público não atende mais à demanda do agronegócio brasileiro. A pesquisa indica que o setor precisa diversificar fontes de recursos, aumentando o protagonismo do crédito privado.
Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no ciclo 2025/26, os recursos públicos representaram apenas um terço da demanda total do setor, que atingiu R$ 1,2 trilhão. Os pesquisadores da FGV afirmaram que o crédito rural tradicional impõe desafios aos pequenos e médios produtores, citando custos acessórios altos e exigência de garantias robustas.
A análise da FGV mostra que a evolução normativa permitiu a consolidação de ferramentas privadas como fontes confiáveis. Dentre elas, destacam-se a LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), a CPR (Cédula do Produtor Rural), a CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e o Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais).
Apesar da modernização das fontes, o risco de crédito permanece como entrave principal. A análise aponta que choques adversos, como alta de insumos em 2022 e queda de cotações em 2023, expõem a vulnerabilidade da receita do produtor. O estudo conclui que o sistema deve se ancorar no mercado de capitais, e que os recursos estatais devem focar no fortalecimento do PSR, em vez da equalização da taxa de juros.

