O biólogo Stefano Mancuso afirma que plantas são seres dotados de inteligência, memória e capacidade de tomar decisões. O especialista, que fundou a neurobiologia vegetal, defende que o mundo vegetal possui habilidades que a ciência tradicional ignora, como a percepção e o aprendizado.
Mancuso explica que a visão científica convencional trata as plantas como organismos passivos. Ele argumenta que a tendência humana de projetar características animais, como olhos ou cérebros, limita a compreensão do reino vegetal. O cientista aponta que, embora os animais representem apenas 0,3% do planeta, as plantas formam 85% da biomassa global, e seu status é frequentemente relegado a um papel secundário.
O pesquisador descreve habilidades vegetais que ele chama de “superpoderes ocultos”. Seus estudos mostram raízes sensíveis que alteram rotas para evitar obstáculos e uma “linguagem vegetal” baseada em trocas químicas complexas. O Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal (LINV), fundado por ele em 2005, desenvolveu o primeiro plantoide, um androide focado na análise de terrenos.
Mancuso critica o “animalocentrismo”, dizendo que o ego humano não reconhece essas capacidades porque prioriza o movimento como solução de problemas. Ele defende que, diferentemente dos animais, as plantas resolvem problemas de fato, com soluções de longo prazo. A exposição “Revolução das Plantas”, que ocorre no Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS), reúne obras de artistas inspiradas em suas ideias.

