A Senacon abriu uma investigação para apurar a publicidade de apostas esportivas durante as transmissões da CazéTV. O debate sobre o tema se polariza entre a necessidade de financiamento do conteúdo e o impacto social do vício em apostas.
A investigação ocorre em um contexto de dificuldade financeira para pequenos e médios empresários e produtores, que relatam escassez de recursos para manter negócios e projetos. O volume de dinheiro trazido pelas apostas esportivas se tornou uma fonte de patrocínio que muitos aceitam por necessidade de sobrevivência de mercado.
A lógica do mecanismo das apostas envolve um grande número de apostadores, parte dos quais se endivida. Um estudo da CNC indicou que, em 2024, havia cerca de 23 milhões de apostadores no Brasil, e quase metade estava endividada. O estudo também apontou 268 mil famílias com contas atrasadas há mais de 90 dias.
A situação é comparada ao passado da Fórmula 1, que foi sustentada pela publicidade da indústria do cigarro por décadas. A proibição da publicidade ocorreu quando a sociedade percebeu o alto custo social do modelo. A questão, segundo analistas, reside em saber até quando esse modelo se sustenta sem que o custo do vício apareça na conta.

