A Suécia, um dos países mais digitalizados do mundo, está reestruturando suas salas de aula para priorizar o livro impresso. A mudança, intensificada em 2026, ocorre após a queda na pontuação do Pirls, exame que mede a compreensão de leitura de alunos do quarto ano.
A virada na política educacional sueca, que historicamente adotou a tecnologia, foi motivada por resultados do Pirls. Entre 2016 e a edição seguinte, a pontuação do país caiu de 555 para 544 pontos. A então ministra Lotta Edholm classificou o resultado como sintoma de um problema estrutural, alertando para o risco de criar uma geração de “analfabetos funcionais”.
As alterações práticas incluem a suspensão da obrigatoriedade de ferramentas digitais em pré-escolas desde 2025. Para 2026, há previsão de proibição de telefones celulares nas escolas, mesmo para fins educacionais. O governo destinou mais de 2,1 bilhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de US$ 200 milhões, em subsídios para a compra de livros didáticos.
Joar Forsell, porta-voz de educação, afirmou que a estratégia visa “nos livrar das telas ao máximo possível” nas fases iniciais. Pesquisas, incluindo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2026, apontam que o uso intensivo de dispositivos pode gerar distrações e correlacionar-se com desempenho mais baixo em matemática.
Apesar da mudança, há divergências no sistema. Enquanto alguns defendem a redução do tempo de tela, outros especialistas argumentam que a tecnologia deve ser usada com autonomia pedagógica. Além disso, há alertas de que o recuo digital pode comprometer a preparação dos estudantes para um mercado de trabalho dependente de competências tecnológicas.

