Pesquisadores da Unesp e do IGTPAN desenvolveram um sistema que capta água diretamente da umidade atmosférica. A tecnologia emprega um polímero superabsorvente, feito a partir de resíduos têxteis reciclados, para converter vapor em água líquida. O protótipo demonstrou capacidade de produzir entre 4 e 6 litros por dia em testes de quase um ano.
O sistema funciona por meio de módulos chamados hidrocélulas, que absorvem moléculas de vapor d’água apenas em sua superfície. Após a captação, o aquecimento moderado transforma a umidade em água líquida. Segundo a pesquisadora Valquiria Campos, a abordagem oferece uma alternativa descentralizada para o abastecimento em regiões áridas, onde fontes convencionais enfrentam altos custos energéticos.
O elemento central é o polímero PANSAP, obtido pela reciclagem de fibras de poliacrilonitrila. Este material pode absorver de 200 a 300 gramas de água líquida por grama. O processo segue o conceito de economia circular, pois recupera amoníaco para gerar fosfato de amônio, um fertilizante agrícola.
A produção de água é eficiente e de alta pureza, pois resulta de condensação. O sistema pode ser alimentado por energia solar, utilizando um protótipo híbrido. A pesquisadora Campos explicou que a faixa de temperatura de 55 °C a 80 °C é crítica, pois temperaturas superiores a 100 °C degradam o polímero.

