Desconfianças entre o diretor-geral da Polícia Federal e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça aumentam devido aos casos Master e fraudes no INSS. O diretor-geral da PF alega que há tentativas do gabinete do magistrado de fragilizá-lo, restringindo acesso a dados de apurações. O ministro relator, por sua vez, tem sido alvo de questionamentos sobre sua postura nas investigações.
Interlocutores do chefe da PF relatam que o gabinete do magistrado tenta contornar a corporação, utilizando uma relação mais próxima com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O episódio mais recente de tensão ocorreu após uma operação da PF apontar elo do senador Jaques Wagner com o Master, gerando irritação do diretor-geral da PF, que foi informado por subordinados, mas recebeu a versão de “surpresa” do gabinete do ministro.
Por outro lado, auxiliares de Mendonça negam a responsabilidade por eventuais restrições, afirmando que o conhecimento da PF sobre as operações é natural pela estrutura necessária. Eles contestam a ideia de que o gabinete conduza as apurações, dizendo que o ministro respeita a corporação e que as medidas invasivas foram solicitadas e analisadas pela PF e PGR.
O atrito se intensificou quando Mendonça assumiu a relatoria do caso Master, após a saída de outro ministro. Na ocasião, o magistrado teria criticado um relatório da PF e determinado o compartilhamento de dados com regras estritas de sigilo. Integrantes do governo interpretaram essa decisão como uma forma de limitar o acesso da PF, considerada próxima ao presidente Lula.

