Cidadãos de Cuba deixam o país em busca de refúgio no Brasil, utilizando a Guiana como principal rota migratória até Roraima. A travessia é marcada por riscos, fome e exploração financeira por coiotes, segundo o Ministério da Justiça.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou 189 cubanos em uma semana no início do mês, número quase duas vezes maior que a soma dos flagrantes dos dois anos anteriores. Ao longo do percurso, os migrantes cruzam a fronteira em botes, atravessam áreas de mata e sofrem com fome e desidratação. Eles pagam até US$ 10 mil pela viagem clandestina até Boa Vista, mesmo existindo a opção de solicitar refúgio legalmente e gratuitamente.
Apesar da lei brasileira permitir que o estrangeiro solicite reconhecimento como refugiado na fronteira, muitos cubanos são levados a acreditar que precisam usar atravessadores irregulares. A situação reflete a grave crise econômica cubana, intensificada pelo embargo americano e pela perda de fornecimento de petróleo após a captura de um ex-presidente venezuelano pelos EUA.
A coordenadora do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados em Roraima, Thaisa Freitas, explicou que as rotas “expõem as pessoas a diferentes riscos de proteção, como condições inseguras de transporte, endividamento e situações de exploração”. Além disso, os pedidos de refúgio de cubanos em Roraima superaram os de venezuelanos pela primeira vez em uma década.

