O texto analisa a relação entre a produção literária e os posicionamentos políticos de autores renomados, como Mario Vargas Llosa, Jorge Luis Borges e Camilo José Cela. A matéria explora como a arte se distancia ou se conecta com ideologias de direita e esquerda, abordando casos de censura e engajamento político.
Mario Vargas Llosa, que defendeu pautas da esquerda, tornou-se reacionário, defendendo figuras autoritárias da direita e extrema direita internacional, segundo o texto. Contudo, a obra do autor é apresentada como uma denúncia dos males do colonialismo, com tramas que elogiam a liberdade, como em “O Paraíso na Outra Esquina”.
Em outro ponto, Jorge Luis Borges deu entrevista defendendo os militares durante a ditadura argentina. Já Raquel de Queiroz e Graciliano Ramos enfrentaram interferência do Partido Comunista Brasileiro, que censurava obras e exigia o realismo socialista. Camilo José Cela, apesar de ter forte vertente social em seus romances, teve atividade política desastrosa, sendo censor e elogiando o ditador do regime franquista.
O caso de Euclides da Cunha é analisado sob a ótica do racismo, pois o autor condenou a mestiçagem, afirmando que “A mistura das raças mui diversas é, na maioria dos casos, prejudicial”. O texto conclui que a obra de um autor não define integralmente seu caráter político.

