Sete páginas de redes sociais, sem identificação de responsáveis, gastaram mais de R$ 1,1 milhão em dois meses para impulsionar publicações contra o senador Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A campanha ocorreu em momentos de disputa eleitoral e revelações sobre o parlamentar.
As páginas utilizaram uma tática de impulsionamento em massa, investindo pequenos valores em centenas de publicações para driblar restrições dos algoritmos das plataformas. Essa estratégia aumenta a permanência do conteúdo, mesmo que parte dele seja removida. Os perfis, que tinham menos de 400 seguidores, usavam nomes como Radar do Planalto e Dossier Brasil 24h, simulando veículos independentes.
Entre 17 e 23 de junho, os gastos somaram R$ 135 mil, segundo dados da Meta, ficando atrás apenas do governo federal no período. Um anúncio impulsionado por uma das páginas alcançou entre 300 mil e 350 mil impressões, concentradas em São Paulo (53%) e Minas Gerais (46%).
Especialistas apontam que a legislação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe a divulgação de informações sabidamente falsas. A Dra. Carla Rodrigues, coordenadora de Plataformas e Mercados na Data Privacy Brasil, disse que as páginas burlam as regras usando apelidos e palavras ambíguas, em vez de ofensas diretas.

