Um estudo recente revelou que tubarões e raias na costa do Rio de Janeiro apresentam contaminação por cocaína e diversos químicos. A descoberta, feita por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz e da UFRJ, alerta para a falta de saneamento e o impacto de substâncias lançadas no Atlântico.
A contaminação ocorre porque drogas e medicamentos são excretados pela urina e chegam ao oceano através de rios e emissários submarinos de esgoto. Segundo a primeira autora do estudo, bióloga Rachel Ann Hauser-Davis, é necessário um consumo gigantesco dessas substâncias para que ocorra a contaminação marinha.
Os cientistas analisaram músculos, fígado e cérebro de peixes doados por pescadores artesanais do Recreio dos Bandeirantes. O trabalho registra pela primeira vez a presença de compostos como cocaína, benzoilecgonina, diclofenaco e fipronil em tubarões e raias. Marcelo Vianna, coautor do artigo, afirmou que a presença dessas drogas nos animais indica que a quantidade no ambiente é brutal.
Os pesquisadores alertam que essas substâncias, ilícitas ou não, colocam em risco espécies ameaçadas, como a raia-borboleta. Hauser-Davis comentou que existe possibilidade de as fêmeas passarem as drogas para os embriões, resultando em peixes já contaminados ao nascer. Além disso, o consumo de carne de cação é apreciado, e os cientistas questionam o risco que isso representa para o ser humano.

