A cefaleia, ou dor de cabeça, é uma queixa comum em crianças, mas muitas vezes é mal compreendida pelas famílias. Estima-se que a cefaleia recorrente afete entre 6% e 30% das crianças em idade escolar. Os diagnósticos mais frequentes são a cefaleia tensional e a enxaqueca, que frequentemente são subdiagnosticados.
A enxaqueca infantil pode se manifestar de formas diferentes do padrão adulto. Em vez da dor latejante unilateral clássica, a criança pode apresentar crises mais curtas, dor em ambos os lados da cabeça, náusea e sensibilidade intensa à luz e ao barulho. Existe também um subtipo, a enxaqueca abdominal, que pode levar a atrasos diagnósticos de anos.
A cefaleia tensional, por sua vez, costuma ser descrita como pressão ou aperto ao redor da cabeça e está ligada a fatores comportamentais, como noites mal dormidas, excesso de tela e estresse escolar. Medidas como regularização do sono, hidratação adequada e redução do tempo de tela podem auxiliar antes do uso de medicamentos.
Em casos de crise de enxaqueca, o ibuprofeno e o paracetamol mostram eficácia quando aplicados precocemente, conforme orientação médica. Contudo, a automedicação repetida traz o risco de desenvolver cefaleia crônica. É fundamental procurar emergência se a dor for súbita e abrupta, ou se vier acompanhada de febre alta com rigidez da nuca.

