O público com mais de 60 anos representa 23% do eleitorado brasileiro, um grupo que cresceu 74% desde 2010, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Especialistas apontam que esse segmento exige estratégias de campanha focadas em propostas de longo prazo e em comunicação tradicional.
O aumento da parcela de eleitores com mais de 60 anos, que soma 36,5 milhões de pessoas, impõe desafios às campanhas políticas. Marco Antonio Teixeira, cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse que é preciso entender o contexto histórico-cultural desse grupo, que tende a consumir mídia tradicional e propaganda eleitoral gratuita, mesmo com acesso à internet.
Carolina de Paula, doutora em ciências políticas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), complementou que a influência da televisão é forte para esse perfil, mesmo após o fim do horário eleitoral. A especialista ressaltou que os eleitores mais velhos buscam convencimento e argumentação, focando em projetos de longo prazo.
Teixeira também mencionou que o desejo cívico desse grupo pode estar ligado a vivências de privação de voto durante a Ditadura Militar. Ele alertou que quem conseguir ouvir as reivindicações desse público, como as políticas de envelhecimento, pode tomar a dianteira na disputa eleitoral.

