No Brasil, onde 90% das empresas são familiares, a sucessão é um tema evitado por pequenos e médios empresários. Um levantamento da JM Consultoria, realizado entre 2021 e 2025, revelou que 91% desses negócios não possuem um plano estruturado para a transição de liderança.
O atraso no planejamento sucessório ocorre, segundo Sara Hughes, presidente do conselho da FBN Brasil, porque o empreendedor foca na sobrevivência do negócio nos primeiros anos. Ela explicou que, até os dez primeiros anos, a urgência operacional consome a energia do fundador, tornando discussões sobre o futuro prematuras.
Apesar disso, a percepção sobre o tema muda. A pesquisa global indicou que o percentual de empresas familiares brasileiras com plano robusto saltou de 24% em 2021 para 67% no ano seguinte. Contudo, a distância entre ter consciência e formalizar um plano ainda é grande, especialmente em negócios menores.
Hughes também afirmou que o herdeiro não precisa seguir a trajetória dos fundadores, mas deve estar informado para dar continuidade ao legado. Para PMEs, o processo envolve diagnosticar sucessores, formalizar acordos entre sócios e criar instâncias de governança que separem família, propriedade e gestão.

