Uma moradora de São José dos Campos relatou que reprimiu sua identidade de gênero por quase quatro décadas, sentindo-se menina desde a infância. A pessoa iniciou a transição aos 40 anos, após perceber que não desejava viver uma vida que não era a sua.
A trajetória de autoconhecimento começou na infância, quando a pessoa foi repreendida por não usar itens que lhe agradavam. Ela passou a esconder quem era durante a adolescência e vida adulta, vestindo roupas femininas em casa enquanto tentava se adequar às expectativas sociais fora. O sofrimento emocional levou a pessoa a desenvolver obesidade, com peso superior a 200 quilos, que ela descreveu como uma forma de autossabotagem e ocultação.
A mudança ocorreu após um almoço, quando a moradora percebeu que não queria envelhecer vivendo uma vida não autêntica. Com o apoio da esposa, ela decidiu iniciar a transição de gênero, realizando cirurgia bariátrica e tratamento hormonal. A pessoa descreveu as primeiras experiências como inéditas, como sair maquiada ou usar salto alto na rua.
Atualmente, a moradora atua como consultora de marketing estratégico e integra a diretoria de uma organização que acolhe pessoas trans na cidade. Ela afirma que hoje se sente feliz ao olhar no espelho e reconhecer a si mesma, celebrando a relação construída com o próprio corpo.

