Pesquisadores internacionais alertam sobre a expansão da resistência antifúngica em patógenos humanos, o que compromete terapias de primeira linha e eleva mortes por infecções graves. O grupo propõe que a Organização Mundial da Saúde inclua ações imediatas no seu próximo Plano de Ação Global sobre Resistência Antimicrobiana.
A resistência antimicrobiana ocorre quando linhagens de patógenos não respondem aos medicamentos disponíveis. Fungos e bactérias multirresistentes afetam principalmente crianças, idosos e pacientes em terapia intensiva, embora já tenham sido detectados em ambientes aquáticos e animais selvagens. Os autores do artigo, publicado na revista Nature Medicine, chamam atenção para o risco fúngico, que tem sido negligenciado em estratégias globais.
Arnaldo Lopes Colombo, médico infectologista e coordenador do Aries, defende o estabelecimento de uma força-tarefa com especialistas em micologia, saúde pública, saúde animal e formuladores de políticas. Os cientistas reforçam a necessidade da abordagem de Saúde Única (One Health), visto que o uso indiscriminado de fungicidas na agricultura e veterinária também impulsiona a resistência.
As propostas do grupo incluem cinco pilares: financiamento para estudos de vigilância, desenvolvimento de métodos de diagnóstico rápido e acesso equitativo a antifúngicos. Outras medidas sugeridas envolvem capacitação de laboratórios hospitalares para testes de sensibilidade e criação de programas nacionais de uso racional de antifúngicos.

