A banda Nomádica, de São Carlos (SP), utiliza o rock como plataforma de representatividade e protesto, celebrando a diversidade LGBT+. A formação, que inclui duas travestis e uma mulher lésbica, transforma experiências da comunidade em músicas autorais, reforçando a resistência contra o sistema cis-hétero-patriarcal.
A banda, liderada pela travesti Renê Echeverria, transforma vivências da comunidade em canções autorais. Segundo Renê, a revolta da Nomádica deve ser alegre e debochada, criticando a ‘caretice eminente dos tempos atuais’. A proposta musical mistura MPB, rock alternativo e punk rock, abordando temas como identidade e desejo.
A Nomádica se destaca na cena local por sua formação incomum. A guitarrista Luiza Gimenez explicou que as composições surgem da ressignificação de violências cotidianas, buscando contar histórias de afirmação da dissidência. A banda também aponta a importância de revisitar artistas que pavimentaram o caminho para gerações atuais.
Apesar dos avanços, a banda observa que o rock ainda é predominantemente masculino e heteronormativo. Renê e Luiza afirmaram que é fundamental que o gênero mantenha seu papel de contestação. A banda prepara o lançamento de seu primeiro EP, com sete músicas autorais, previsto para este ano, e um videoclipe de “Peçonhenta” em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

