Os lucros das empresas industriais chinesas cresceram 21,1% em maio em relação ao ano anterior, mas a taxa desacelerou frente aos 24,7% registrados em abril. O crescimento, ainda em dois dígitos, evidencia a dependência da produção e exportação para compensar a fraca demanda interna.
Os dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas mostram que os lucros no período de janeiro a maio subiram 18,8% contra 18,2% nos primeiros quatro meses. Estrategista sênior para a China do ANZ, Zhaopeng Xing, afirmou que setores como o *upstream* e a indústria de computadores registraram aumentos acentuados. A melhora nos preços foi o principal fator que impulsionou o crescimento dos lucros corporativos.
As tendências de lucro divergiram entre os setores. Fabricantes de computadores, equipamentos de comunicação e eletrônicos tiveram lucros que dispararam 103,9% de janeiro a maio, impulsionados por investimentos em inteligência artificial. Em contraste, os lucros das montadoras caíram 19,8%, e os de fabricantes de móveis despencaram 58,4%, mesmo com exportações robustas.
Economista sênior da Economist Intelligence Unit, Tianchen Xu, comentou que a diferenciação setorial destaca a importância da redução de tensões no conflito com o Irã. Ele explicou que uma recuperação gradual nos lucros do setor de transformação deve ocorrer quando o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz for retomado e os preços internacionais do petróleo caírem.
Fontes a par do assunto informaram que o banco central da China instruiu bancos comerciais a aumentar empréstimos no mês. Isso ocorre enquanto a inflação na porta de fábrica acelerou para quase quatro anos, pressionando os custos e os lucros das empresas.

