O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento implementará um novo sistema de rastreabilidade e fiscalização na produção pecuária a partir de 1º de julho. A medida visa atender às exigências da União Europeia relativas à proibição do uso de antimicrobianos nos animais.
A determinação europeia, que proíbe o uso de antimicrobianos, foi formalizada em 2023, estabelecendo prazo final para que os países exportadores se adequem até 3 de setembro de 2026. Embora setores como aves apresentem facilidade de implementação devido ao ciclo de produção curto, a suinocultura e, principalmente, a carne bovina enfrentam grandes desafios.
No setor de carne bovina, o ciclo produtivo varia de 24 a 36 meses, e os animais transitam por diversas propriedades, o que configura um gargalo na rastreabilidade. O governo publicou em 1º de junho o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos, que estabeleceu critérios para o manejo sem o uso dessas substâncias.
A restrição da União Europeia abrange não apenas antibióticos, mas também ionóforos, substâncias usadas na alimentação que aumentam o rendimento da carne. Especialistas apontam que a complexidade de detalhar o uso de substâncias desde a origem do animal é o principal obstáculo do Brasil para cumprir o protocolo.

