Uma cientista política afirmou que o crescimento do bolsonarismo não se explica apenas pelo antipetismo ou insatisfação com a política tradicional. Segundo a pesquisadora, a ascensão da direita foi impulsionada por mudanças em valores de grupos historicamente ligados à esquerda, como jovens e mulheres.
A especialista Esther Solano disse que a extrema direita interpretou transformações sociais que já ocorriam antes da eleição do político do PL. Ela dividiu o avanço da direita em duas camadas: fatores conjunturais, como o antipetismo e a Operação Lava Jato, e mudanças subjetivas em grupos progressistas. Solano comentou que, quando a extrema direita chega ao poder, ela simboliza um movimento de placa tectônica que já vinha ocorrendo.
A pesquisadora analisou o comportamento em diferentes grupos. Entre as mulheres, a direita disputa símbolos feministas, citando a ex-primeira-dama, que busca unir imagem pública com valores religiosos. Para os jovens, Solano apontou o papel das redes sociais na construção de uma política mais performática. Ela também mencionou o endividamento como fator de insatisfação.
Sobre o futuro político, Solano previu um ‘certo bolsonarismo sem a figura do político do PL’, enquanto o senador é visto por parte do eleitorado como ‘o cínico, um jogador’. Além disso, ela observou um processo de ‘bolsonarização’ no universo evangélico, mas também um cansaço com a politização dos púlpitos.

