Empresas no Brasil estão treinando funcionários para funções que ainda não foram definidas, em resposta à transformação impulsionada pela inteligência artificial. Um levantamento global do LinkedIn mostra que 82% dos executivos criaram novas funções ligadas à IA desde 2022, mas metade dos líderes não sabe quais competências serão necessárias no futuro.
A mudança exige que as organizações passem de um foco em preencher vagas conhecidas para a construção contínua de capacidades. Dados da consultoria Aon indicam que o Brasil está reagindo de forma acelerada a essa tendência. O estudo Human Capital Trends 2026 revelou que 54% das empresas brasileiras capacitaram até um quinto dos funcionários em inteligência artificial nos últimos 12 meses, superando a média da América Latina (51%) e a média global (47%).
Fabio Martinez, head of Health & Talent da Aon Brasil, comentou que o movimento demonstra que a IA deixou de ser um tema experimental e passou a afetar a rotina profissional. Apesar do alto engajamento, a adoção da tecnologia ainda é moderada: apenas 35% das organizações brasileiras implementaram inteligência artificial em suas operações, ficando abaixo da média global de 44%.
A estratégia de capacitar antes de implementar reflete a dificuldade em atrair talentos especializados, visto que apenas 32% das empresas brasileiras acreditam conseguir reter profissionais com competências em IA. Além disso, a transformação redefine o que é valorizado; o estudo da Aon aponta que adaptabilidade e gestão da mudança são habilidades cruciais para o sucesso organizacional nos próximos três anos.


