A Braskem iniciou processo de mediação com credores financeiros e protocolou pedido de tutela de urgência cautelar para se proteger contra cobranças antecipadas de dívidas. O movimento ocorreu após negociações extrajudiciais sobre o endividamento da petroquímica enfrentarem obstáculos, o que gerou incertezas no mercado e levou à queda de suas ações.
A medida judicial visa preservar um ambiente estável para avançar em um acordo estrutural da dívida, suspendendo por 60 dias a cobrança de certos credores financeiros. A companhia afirmou que obrigações com fornecedores e clientes continuam sendo honradas normalmente. As negociações envolvem cerca de R$ 50 bilhões em dívidas, mas a primeira rodada de discussões não avançou, pois os credores rejeitaram a proposta da empresa, que incluía redução de cerca de 2 pontos percentuais no cupom das dívidas.
O cenário financeiro da Braskem mostra deterioração, com prejuízo líquido de R$ 11 bilhões em 2025 e patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões. Além do endividamento, a empresa enfrenta riscos de liquidez, como a redução de linhas de financiamento de curto prazo. Analistas apontam que a Petrobras é peça-chave nas negociações, fornecendo cerca de 50% da nafta utilizada pela companhia no Brasil.
A ausência de um acordo consensual aumenta a probabilidade de a empresa seguir para uma recuperação judicial, um cenário considerado mais negativo para os investidores. Analistas de diferentes instituições apontam que a solução final tende a ser menos favorável aos acionistas, podendo incluir maior diluição de capital ou exigência de aportes adicionais.

