A situação fiscal brasileira voltou ao foco dos investidores devido ao ciclo de aperto monetário em bancos centrais globais. Especialistas avaliam que a futura administração federal terá pouco tempo para aprovar medidas que garantam uma trajetória sustentável para a dívida nacional.
Os analistas indicam que o modelo de ajuste baseado em aumento de arrecadação se esgotou. Segundo Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX, a partir de 2027 o foco deve ser a despesa. Ele afirmou que “O Brasil precisa de, pelo menos, um ajuste de quatro pontos porcentuais do PIB. Isso dá mais ou menos R$ 500 bilhões. […] Agora, é preciso atacar o gasto”.
A dívida bruta deve encerrar o ano em 83,2% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme projeção do Banco Central, e atingir 99,8% em 2035. A incerteza fiscal já impactou o mercado, levando o Tesouro Nacional a cancelar o leilão de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) na semana passada.
Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria, declarou que o governo que assumir “não pode demorar muito para dar esse sinal”. Ela alertou que a falta de clareza fiscal pode piorar a percepção de risco, elevando a exigência de retorno dos investidores e depreciando o câmbio.
No cenário internacional, o Banco Central Europeu (BCE) subiu os juros em 0,25 ponto percentual, para 2,25%. Milena Landgraf, sócia e chefe de estratégia macro da Jubarte Capital, comentou que o aperto monetário global torna o ambiente mais hostil para economias emergentes como o Brasil.

