As taxas dos títulos de inflação (IPCA+) de longo prazo do Tesouro Direto subiram nesta segunda-feira (29). O movimento ocorreu mesmo com a queda do petróleo e a nova trégua entre Estados Unidos e Irã, indicando que o mercado mantém a leitura de inflação doméstica elevada.
O Tesouro Prefixado 2029 registrou alta de apenas dois pontos-base, passando de 14,24% na sexta-feira para 14,26% nesta manhã. Em contraste, o IPCA+ 2040 avançou 12 pontos-base, atingindo 7,67%, e o IPCA+ 2050 subiu 11 pontos-base, chegando a 7,34%. O IPCA+ 2032 permaneceu acima de 8% ao ano, saltando para 8,33%.
O Boletim Focus do Banco Central ajudou a explicar a dinâmica. O relatório mostrou estabilidade nas projeções de 2026, com inflação em 5,33% e Selic em 14%. Contudo, as projeções para 2027 avançaram dois pontos-base, para 4,17%, e a mediana da Selic ao final de 2028 foi revisada para cima em 25 pontos-base, para 10,50%.
Alberto Ramos, chefe de análise macroeconômica do Goldman Sachs, comentou que as expectativas de resultado primário permanecem deficitárias até 2028. Segundo ele, o déficit nominal projetado acima de 7% do PIB no médio prazo “atesta a baixa credibilidade do arcabouço fiscal e sua fraca capacidade de ancorar as expectativas”.
Rogério Dias, coordenador da gestão da dívida do Tesouro Nacional, afirmou que o órgão monitora a volatilidade e usará a reserva de liquidez para acalmar o mercado, caso seja necessário atuar além dos leilões convencionais.

