Venezuelanos residentes em Santarém, no Pará, acompanham com angústia os desdobramentos do terremoto que atingiu a Venezuela na última quarta-feira. O desastre registrou mais de 1.700 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Sem poder retornar ao país, a comunidade se mobiliza para enviar ajuda humanitária.
A comunidade venezuelana em Santarém organiza coletas de doações para enviar às vítimas. Segundo a coordenadora Analy Chica Galicia, a prioridade atual não são alimentos ou roupas, que já foram arrecadados em grande volume. Os itens mais necessários são insumos médicos, como gazes, bandagens, soluções salinas, álcool e luvas descartáveis, além de materiais para socorristas.
A neuropsicóloga Suanne Souza comentou que acompanhar uma tragédia à distância, com familiares no exterior, gera impactos emocionais profundos, como impotência e insegurança. Um dos imigrantes declarou que o Brasil deve ajudar os irmãos venezuelanos, pois a fronteira não pode ser um obstáculo.
O governo brasileiro já enviou uma missão humanitária à Venezuela, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que disponibilizou hospital de campanha e equipes de saúde. A ONU estima que os tremores afetaram até 6,8 milhões dos quase 30 milhões de habitantes do país, e o risco de tremores secundários continua.

