O déficit primário de R$ 53,257 bilhões registrado pelo governo central em maio acende alerta sobre as contas públicas brasileiras. A economista Rafaela Vitória, do Inter, afirmou que o resultado demonstra um claro descontrole fiscal, com gastos crescentes acima do planejado.
Segundo a economista, o governo promoveu duas revisões orçamentárias com despesas superiores ao aprovado pelo Congresso no ano anterior, além de excluir gastos do cálculo da meta fiscal. Rafaela Vitória declarou: “O governo gasta mais do que o planejado e continua acelerando os gastos”.
O cenário é considerado preocupante porque a expansão fiscal ocorre em momento de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), desemprego em mínimas e inflação acima da meta. Para ela, isso configura uma política pró-cíclica que força o Banco Central a manter juros elevados para conter a demanda.
A especialista alertou que o equilíbrio entre a política fiscal expansionista e a monetária contracionista não é sustentável no longo prazo. Ela disse que a dívida se acelera, gerando questionamentos futuros sobre seu pagamento. Rafaela Vitória concluiu que o arcabouço fiscal necessita de mais disciplina e regras mais rígidas para gerir o crescimento dos gastos públicos.

