Vik Muniz expõe no Museu Nacional obras criadas a partir de materiais recuperados do incêndio de 2018. A mostra “Rescaldo das memórias”, inaugurada em 21 de junho, reúne 11 fotografias e nove esculturas que reproduzem peças do acervo local.
A série “Museu de cinzas” (2019/2026) foi concebida pelo artista após ver imagens do fogo enquanto trabalhava na Holanda. Muniz teve acesso a resíduos do incêndio, que foram usados como elementos gráficos nas fotos e no material para esculturas produzidas em impressoras 3D, em parceria com pesquisadores do Laboratório de Processamento de Imagem Digital (Lapid/UFRJ).
Segundo o artista, voltar ao museu com a exposição foi “uma catarse incrível”, pois ele sentia que não poderia retornar àquele lugar da memória da infância após a tragédia. Além de “Rescaldo das memórias”, o Museu Nacional inaugurou “Bastidores da ciência”, que detalha os processos de recuperação dos acervos, como modelagem digital e taxidermia.
A museóloga Thaís Mayumi Pinheiro, coordenadora das Novas Exposições para Reconstrução do Museu Nacional/UFRJ, afirmou que é fundamental o público visitar o museu antes da reabertura total, prevista para 2029. Ela comentou que “há toda uma produção científica realizada em paralelo à reconstrução”.

