A crise entre o senador e a ex-primeira-dama não deve mudar o ponto de atrito político no Ceará, segundo aliados. A tentativa de pacificação do partido não alterará a articulação construída no estado, e um entendimento dependerá de caminhos além da mediação interna.
Interlocutores da campanha afirmam que o senador não pretende rever o acordo político estabelecido no Ceará para atender às preferências da ex-primeira-dama. Recuar na composição política que gerou o conflito representaria fragilidade após a repercussão nacional do episódio. Integrantes do entorno do senador disseram que voltar atrás enfraqueceria sua autoridade na pré-campanha.
A direção do PL aguarda uma reunião marcada para esta terça-feira em Brasília, envolvendo Valdemar Costa Neto e a ex-primeira-dama, como parte da ofensiva para encerrar a crise. A senadora Damares Alves também atua nos bastidores para criar condições de diálogo. O ex-presidente Jair Bolsonaro tentou conter o desgaste, orientando o filho a buscar conciliação, mas a tensão familiar permaneceu perceptível.
A disputa teve início quando a ex-primeira-dama defendeu a contemplação de uma vereadora cearense com vaga ao Senado. A articulação do partido seguiu outro rumo, abrindo espaço para um grupo político ligado ao deputado André Fernandes e setores ligados ao ex-ministro Ciro Gomes. Aliados do senador avaliam que a resolução exige um entendimento político mais amplo, e não apenas um pedido de desculpas.

