Vik Muniz inaugurou a exposição “Rescaldo das memórias” no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O artista utilizou cinzas e fragmentos do acervo destruído no incêndio de 2018 para criar obras que ressignificam a memória da instituição.
A mostra integra diferentes temporalidades no espaço do museu, ocupando a Sala das Vigas, local de origem do fogo. As paredes chamuscadas e vigas retorcidas foram mantidas para evocar o evento. O trabalho de restauro, coordenado por Lucia Basto, revelou camadas históricas desconhecidas do prédio.
Muniz criou peças impressas em três dimensões, usando amálgama de polímero com cinzas dos objetos queimados. Dentre os destaques, há a recriação de um gato mumificado, parte da coleção de egiptologia adquirida por D. Pedro I em 1826. Também foram ressuscitados fósseis, como estauricossauro e pterossauro.
O artista se envolveu no resgate após o incêndio, doando parte do resultado de suas vendas para custear a recuperação arqueológica do acervo não coberto pelo seguro. Profissionais como Sergio Azevedo, Jorge Lopes e Gerson Ribeiro auxiliaram na digitalização de grande parte do acervo antes da destruição.


