O Mercosul busca intensificar acordos comerciais fora de sua área de integração em resposta ao avanço do protecionismo global, impulsionado pelo tarifaço dos Estados Unidos. Roberto Giannetti da Fonseca, empresário e ex-secretário executivo da Camex, afirmou que a reorganização do comércio internacional gera um estímulo para aumentar as parcerias extra bloco.
Giannetti declarou que há uma agenda ampla de negociações em andamento, com uma dezena de processos comerciais simultâneos, o que ele classificou como inédito para o Mercosul. As conversas incluem países como Panamá, República Dominicana, Guiana, Trinidad e Tobago, Suriname e Chile, além de aperfeiçoamento com Colômbia e Peru. Japão, Índia, Canadá e Emirados Árabes também estão no radar de negociação.
Sobre o acordo com a União Europeia, o ex-Camex explicou que a implementação está em fase inicial e depende de ratificação do Parlamento Europeu. Ele concordou com críticas sobre assimetrias, citando que a UE impôs salvaguardas e cotas tarifárias, especialmente para produtos agropecuários. Giannetti apontou a França como um foco de resistência protecionista dentro do bloco europeu.
A estratégia de diversificação visa o contraciclo da guerra comercial entre grandes economias, como EUA, União Europeia e China. Segundo Giannetti, buscar mais acordos permite ao Mercosul desviar comércio de mercados afetados por barreiras, ampliando a competitividade das empresas do bloco. Ele destacou o potencial de acordos com Japão e Índia, citando complementaridade econômica e demanda crescente por alimentos.

