O calor extremo na Europa expõe a inadequação estrutural do continente, que historicamente se preparou para o frio. A onda de calor, que levou mais de mil mortes na França, força uma mudança de mentalidade e questiona a adaptação gradual às mudanças climáticas.
A infraestrutura europeia, como casas com isolamento térmico e janelas pequenas, funciona bem no inverno, mas apresenta grande inadequação para verões de 40 graus. Por séculos, o frio foi visto como o risco ambiental principal, e as políticas públicas focaram no aquecimento e na proteção contra o inverno.
Atualmente, o risco de vida mudou para os verões. A situação gera desigualdade, pois o acesso a ar-condicionado e o custo de energia se tornam fatores de vulnerabilidade. Em muitas áreas, o calor atinge o pico às 17h, e o sol permanece visível até as 22h, o que levou ao fechamento de escolas e comércios.
A União Europeia enfrenta um dilema ao tentar liderar a política climática. É preciso conciliar a proteção imediata da população vulnerável com a meta de reduzir emissões energéticas no longo prazo. O calor demonstra que a adaptação não pode ser um processo gradual.

