O Brasil possui potencial para desenvolver baterias de sódio, uma alternativa ao lítio que promete menor custo e maior segurança. O pesquisador sênior do Lactec, Juliano de Andrade, afirmou que a tecnologia deve ocupar nichos específicos, pois ainda não substitui as baterias de lítio em veículos de passeio.
Andrade explicou que, no curto e médio prazo, a tecnologia de lítio mantém vantagem competitiva devido à maior densidade energética, o que resulta em maior autonomia para os veículos. Contudo, ele destacou um diferencial das baterias de sódio: o desempenho em baixas temperaturas. Em climas extremos, abaixo de zero grau, as baterias de sódio superam as de lítio convencionais, que exigem aquecimento para uso.
Sobre a cadeia produtiva nacional, o pesquisador disse que o país ainda depende de tecnologia estrangeira. Ele citou uma parceria em andamento para instalar uma planta de produção de baterias de lítio, processo que guarda 80% a 90% de similaridade com a fabricação de baterias de sódio, permitindo aproveitamento do conhecimento técnico.
Apesar do cenário favorável de matéria-prima, com reservas de sódio mais distribuídas globalmente, Andrade ponderou que há lacunas na produção. Ele afirmou que os materiais ativos das placas das baterias estão em níveis laboratoriais ou piloto, e a transformação em produção competitiva exige outro nível de desenvolvimento.

