O esforço de rearmamento da Europa enfrenta um teste de execução industrial, precisando transformar centenas de bilhões de euros em capacidade militar real. A questão agora foca na velocidade da indústria, diante de atrasos e cadeias de suprimentos sobrecarregadas, antes da Cúpula da OTAN em Ancara.
O caminho do aumento orçamentário à entrega efetiva de armamentos tem se mostrado irregular. A escassez de mão de obra e a fragmentação de programas nacionais levantam dúvidas sobre a reconstrução da base industrial europeia. Segundo a McKinsey, os gastos essenciais de defesa dos membros da OTAN dobraram desde 2019 e podem chegar a cerca de 800 bilhões de euros até o final da década, visando a meta de 3,5% do PIB.
Apesar do crescimento dos pedidos, a conversão em produção enfrenta obstáculos. A Alemanha, por exemplo, cancelou um programa de fragatas F126 devido a custos e atrasos, optando por embarcações menores da ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS). Analistas apontam que este caso demonstra a mudança de prioridades governamentais, mas também um histórico de contratempos no setor.
A capacidade de suprir a demanda é um gargalo. Um relatório da McKinsey indicou que os estoques de equipamentos europeus permanecem abaixo dos níveis de 2021, e a fragmentação de plataformas é mais de quatro vezes maior que nos Estados Unidos. A S&P Global Ratings também alertou que os fornecedores europeus são frequentemente pequenas empresas com capacidade limitada de expansão.

