Os movimentos do mercado brasileiro são guiados por vetores globais e fluxos estrangeiros, conforme análise da XP Investimentos. O índice Ibovespa perdeu força após meados de abril, após um período de alta impulsionado por capital externo. A análise divide o semestre em quatro fases distintas, detalhando os impactos de fatores como conflitos geopolíticos e tendências de inteligência artificial.
A XP Investimentos, por meio de seus estrategistas, dividiu o ano em quatro momentos distintos para mapear a relação entre o Ibovespa e os fluxos estrangeiros acumulados. Até 26 de junho, os investidores registraram saída de R$ 8,7 bilhões no mês anterior, embora o saldo anual de capital estrangeiro permaneça positivo em R$ 32,8 bilhões.
O ano iniciou com forte alta, sustentada por rotações globais. A tese de desvalorização do dólar incentivou a migração de ativos americanos para mercados emergentes, incluindo o Brasil. Além disso, o ‘HALO trade’ direcionou investidores para ações de valor e commodities, gerando uma onda recorde de fluxos passivos que levou o Ibovespa a máximas históricas.
Um ponto de inflexão foi a eclosão de conflito entre EUA e Irã. Este evento gerou divergência no mercado: ações ligadas a petróleo se beneficiaram da alta do barril, mas o aumento das expectativas de inflação e juros pressionou o restante do mercado. Posteriormente, a recuperação rápida foi observada, com o índice atingindo 199 mil pontos em 14 de abril.
A partir de meados de abril, o cenário mudou com o otimismo em torno da IA. Isso provocou uma rotação intensa para teses de tecnologia nos EUA e na Ásia, revertendo os fluxos estrangeiros. A equipe de estratégia da XP apontou que essa reversão, somada à piora das perspectivas de inflação e ruído político, pressionou os ativos domésticos, levando a uma grande correção.

