A volatilidade do mercado brasileiro, impulsionada pela eleição presidencial de outubro, é monitorada por analistas, mas a equipe de estratégia da XP aponta que o risco fiscal é a principal variável a ser observada. Segundo o relatório, a deterioração da relação dívida/PIB exige cautela dos investidores.
Historicamente, a volatilidade das ações tende a crescer nos seis meses que antecedem eleições presidenciais, um padrão que se repete desde maio. Contudo, os estrategistas da XP afirmam que a principal preocupação reside na trajetória fiscal do país. A relação dívida/PIB cresce anualmente em cerca de 3 a 4 pontos percentuais e projeta-se que se aproxime de 100% nos próximos anos.
Essa deterioração fiscal leva investidores a exigir juros reais elevados para títulos públicos. A XP considera difícil uma alta sustentada das ações brasileiras no médio e longo prazo sem uma melhora crível na perspectiva fiscal a partir de 2027, independentemente do resultado eleitoral. Em análise de sensibilidade, a casa apontou que cada queda de 100 pontos-base nos juros reais de 10 anos implicaria potencial de alta de cerca de 9,0% para o Ibovespa.
Para o cenário de risco fiscal, a XP sugeriu uma cesta de ações defensivas. Essa combinação inclui empresas com beta baixo em relação ao Ibovespa, sensibilidade positiva à depreciação do real e baixa alavancagem financeira, citando ações como Aura Minerals, Embraer, Gerdau, PRIO e Irani.

