Pesquisadores da USP e do Insper concluíram que ondas de calor durante a gestação podem causar um “efeito cascata” no desenvolvimento infantil. Os estudos, que analisaram dados de mais de 12,7 milhões de nascimentos no país, indicam que o calor extremo compromete o crescimento fetal e afeta o comportamento dos bebês.
Os achados apontam que cada dia adicional de exposição a ondas de calor — definidas como períodos de pelo menos três dias com temperaturas acima de 35°C — está associado à redução média de 17,4 gramas no peso do bebê. A exposição também aumentou riscos de complicações hipertensivas na gestação, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, segundo o economista Naércio Menezes Filho, professor do Insper e da USP.
Além dos impactos físicos, os estudos revelaram consequências no desenvolvimento infantil. A exposição ao calor extremo na gestação foi associada a pior desempenho em habilidades motoras grossas e dificuldades na resolução de problemas entre 6 e 10 meses de idade. Um terceiro estudo observou maior irritabilidade e problemas de rotina em crianças expostas ao calor.
Os pesquisadores defendem que gestantes e bebês devem ser grupos prioritários em políticas de adaptação climática. O estudo também destacou que a depressão materna explicou entre 21% e 33% dos efeitos observados no comportamento infantil. A coorte de Ribeirão Preto continuará o acompanhamento das crianças para verificar a persistência desses efeitos.

