O Estado de São Paulo inaugurou uma usina que transforma resíduos sólidos orgânicos em energia elétrica, biometano e biofertilizantes na terça-feira (30). A unidade, um projeto-piloto do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), visa materializar a economia circular ao integrar saneamento, energia e agricultura.
A planta opera em escala industrial e comercial, processando atualmente 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia, com licença para expandir a capacidade para 43,5 toneladas diárias. Por meio da biodigestão, cada tonelada de resíduo gera entre 120 e 180 Nm³ de biogás, com teor de metano entre 50% e 65%. Esse gás pode gerar entre 166 e 200 kWh de eletricidade ou ser refinado para produzir de 90 a 117 m³ de biometano.
A energia elétrica gerada já abastece a rede da Universidade de São Paulo e o Sistema Interligado Nacional (SIN). Além disso, cerca de 80% do material processado vira digestato, um biofertilizante usado em pesquisas com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) para cultivo de cana-de-açúcar. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que o estado alcança uma matriz renovável de quase 60%.
O modelo desenvolvido pela USP permite adaptação em módulos para diversos setores, reduzindo custos logísticos. O projeto, que teve investimentos de cerca de R$ 10 milhões, reforça o protagonismo de São Paulo na transição energética e na descarbonização da economia.

